A nuvem cobria o sol das 16, esperei. Ficaria mais bonito com os feixes. Havia nascido um dente-de-leão. Que rico o meu dente-de-leão do quintal, branquinho, de pontas ainda fechadas amarelas. Fiquei a olhar o percurso dos raios através das folhas, fiz um story. Quero que ele veja o que eu vejo, me interessa que ele saiba para onde eu volto meus olhos. Estou enamorada pelo Dandelion. Existe já uma palavra no meio de outra palavra. Mas não sou tão boa com trocadilhos.
Você sabia que soprar o rosto de uma criança quando ela está de calundu faz um pouco da alma passar pela boca? O sopro dissipa as sombras. Imaginei Poseidon soprando o rosto do mar, apaziguando tempestades.
O destino do dente-de-leão é dançar com o vento. Fiquei emocionada com essa imagem, acho que vou chorar. Mas ainda não chego. Fiquei a olhar cada particulazinha se desprender, voluteando, muito leves, meninas num parque, pequenas faíscas douradas. Não posso lhes traçar um final, mas sequer penso nisso, só penso na liberdade, diria, apenas inspiro todo o ar que meus pulmões comportam e lanço um longo sopro no ar.